As viagens sempre estiveram presentes na vida dos homens. Desde os mais antigos registros até as mais atuais formas de documentar a história, temos expostos vários motivos que obrigavam o homem a se deslocar. Na vertente religiosa e mítica, por exemplo, temos referências que comprovam a existência de viagens. O livro Gênese, do antigo testamento da Bíblia Sagrada, apresenta como forma de punição a Adão e Eva, a expulsão do paraíso. Logo no segundo livro, retrata a saída ou o êxodo dos hebreus do Egito, conduzido pelo “guia” Moisés, para a terra prometida. Fazendo uma análise antropológica das viagens, aproximadamente 13 mil anos atrás no período paleolítico, os seres humanos eram caracterizados pela subsistência.
Sua sobrevivência se dava através da caça, pesca, coleta de frutas, raízes e pela utilização de objetos confeccionados com pedra lascada, ossos e dentes de animais. Devido a estas características, os homens eram nômades e viviam se deslocando de um lugar para outro em busca de sobrevivência e proteção. Com o aperfeiçoamento dos instrumentos e das tecnologias, surgiram os arcos, flechas, utensílios de argila e ossos, além do controle do uso do fogo, permitindo assim modificações do ambiente terrestre que acabaram por refletir nos hábitos dos homens.
Esta nova sociedade passa a ser mais sedentária, estabelecendo seu território, cultivando a terra, criando animais e desenvolvendo a produção de alimentos. Este período de transição, chamado de Mesolítico, representou as bases para a formação da sociedade neolítica, que por sua vez passou a dominar ainda mais a natureza, como a agricultura e a domesticação dos animais. Estes grupos aperfeiçoaram também as técnicas de construção de canoas, jangadas e barcos influenciando nas migrações e conquistas de novos espaços.
Um ponto interessante que representou uma evolução desta sociedade, foi a cultura megalítica (palavra grega que significa grande pedra). Um exemplo desta manifestação está em Stonehenge, no sul da Inglaterra, entre Londres e Bristol. Num artigo publicado pela revista Os Caminhos da Terra em junho de 1995, ela afirma que existe um consenso que esta obra seja dos homens do período neolítico, erguida a mais de 5 mil anos. Por volta de 6000 a.c., o homem passa a utilizar os metais na confecção de armas e utensílios, o que caracterizou o período como Idade dos Metais. Ocorria ao mesmo tempo a revolução urbana, onde transformava as aldeias agrícolas auto-suficientes em aglomerados urbanos e à medida que iam crescendo esta organização, maior era a necessidade de intercâmbio ou troca de utensílios e alimentos com outros aglomerados para satisfazer as necessidades da época. Nasciam assim as primeiras necessidades de viagens comerciais da história.