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| Artes Visuais | |
:: sexta-feira, 24 de março de 2006 A web como espaço de realização nas Artes Plásticas Dizem por aí que o mercado de arte é sempre um bom termômetro da economia de um país ou até mesmo do mundo. Quando a economia vai bem, o mercado de arte vai bem e vice-versa. Deixando de lado os números que nosso querido governo insiste em nos enfiar goela abaixo, olhe para o seu bolso e me diga, a economia está boa? Para a maioria dos cidadãos deste país a resposta será não! Temos saindo das academias todo ano, um enorme número de novos artistas, com as cabeças fervilhando de idéias e propostas, além de um sem-número de autodidatas. Essas pessoas tomam uma ducha fria ao constatarem que não há espaço para suas propostas em galerias comerciais e espaços institucionais. O que fazer então? Para onde recorrer? Existe algum lugar que não nega abrigo a ninguém? A internet é a solução. Crie sua galeria virtual, seu blog, seus espaços. Participe de fóruns, comunidades e etc. Esta pode não ser a melhor solução, mas acredite, é uma ótima opção. Que não seja a internet o único campo de atuação dos artistas, mas que ela seja bem aproveitada. Divulgue-se! Por falar nisso... Você já visitou o meu site? Ilustração, arte e design :: quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006 O ato heróico de Firmeza Eis que no Ceará presenciamos um ato heróico. Um ataque frontal a uma das bases de uma sociedade hipócrita e injusta, uma sociedade que nos explora e ao mesmo tempo não deixa nunca de ser explorada, vocês sabem, essa nossa sociedadezinha mesquinha e vaidosa. Pois é, e o ataque foi genial, inteligentíssimo, emocionante, inesperado! Digno de deixar o Bin Laden de queixo caído! Certo... Bacana. Mas de que base da sociedade estamos falando afinal? Este maravilhoso ataque foi contra nossos políticos? Nossos impostos altíssimos? O quê este cara atacou? Do que o colunista está falando?? Muito bem, chega de te enrolar. O ataque foi contra a Mídia. E antes que você se pergunte se a Mídia é mesmo uma base desta sociedade, deixe-me responder-te que sim, ela é. A mídia é um alicerce da sociedade do espetáculo, um instrumento importantíssimo para que se mantenha ou se tenha acesso a qualquer tipo de poder. É este setor que está, em todos os dias de nossas vidas, nos dizendo o que fazer, o que vestir, o que comer, o que pensar e até mesmo o que sonhar. Informações nos são passadas a todo instante, e baseado na suposta credibilidade dos grandes meios de comunicação não nos damos o trabalho de questionar se o que está sendo dito é verdade. Na verdade não temos nem mesmo tempo de questionar, pois depois da última notícia sobre como os árabes são gente ruim, estamos sendo informados sobre o sensacional novo casamento do craque do futebol... Foi então que um rapaz chamado Firmeza, jovem artista plástico do nordeste da tal Terra Brasilis, resolveu organizar seu atentado. Contando com o surpreendente apoio de uma instituição respeitável, o Museu de Arte Contemporânea do Ceará, o rapaz informou a toda a imprensa que o famoso artista japonês Souzousareta Geijutsuka iria fazer uma grande e bela exposição, com sua arte, já apreciada pelos quatro cantos do planeta! Nossos queridos jornalistas, que dificilmente dariam uma nota de pé de página para a exposição do até então desconhecido Firmeza, não podiam deixar de dar destaque digno de celebridade ao “famoso” artista japonês. Detalhe que você já deve ter percebido; o artista não existia. Foi um belo de um trote que suscita as mais variadas questões, as quais precisaríamos sentar em uma mesa de bar para discutir. O caso tem sutilezas e particularidades que o elevam ao patamar de inteligente ação artística, ao invés de molecagem como alguns dos que foram enganados tentaram dizer. Pequenas coisinhas como o nome do artista, que significava “artista inventado” (segundo Firmeza), o título da exposição Geijitsu Kakuu (”Arte e ficção” ainda segundo o artista), e a maneira como a coisa foi documentada e a farsa exposta, com direito a um diálogo por e-mail entre o Yuri Firmeza e o sociólogo Tiago Themudo (que eu não sei se existe mesmo, mas se existe, tem um sobrenome...). No entanto, de tudo o que aconteceu, o que mais me diverte e surpreende é o resultado da ação. A mídia nordestina enganada, irada voltou suas forças contra o rapaz. Este, com a ajuda do Museu, ao se defender, chamou a atenção da mídia do “Sul-maravilha”. Esta por sua vez, nos informou do acontecido classificando o atentado de inteligente. Eu então, escrevo te informando que na minha opinião se tratou de um ato heróico de imensa magnitude. O artista novamente, conseguiu a exposição necessária para que seu trabalho se realizasse e também para que os próximos possam acontecer dentro de um circuito complicadíssimo. Mas... Qual de nós se perguntou se o tal Firmeza existe mesmo? Eu gosto de imaginar a possibilidade de ainda não termos entendido a piada e estarmos dando por encerrado um caso que está apenas em seu início. Ao virarmos para a próxima página ou clicarmos no próximo link acreditando cegamente no que lemos, demonstramos não ter entendido nada do que aconteceu no Ceará (se é que aconteceu...). E então? Será que a Al Quaeda e O Bin Laden realmente são de verdade? Não seriam criações de Holywood? Se nós devemos “acreditar em nada do que ouvimos e em apenas 50% do que vemos”, será que deveríamos acreditar em apenas 25% do que lemos? Até a próxima! Carlos Ranna é Artista Plástico e Ilustrador. As opiniões e informações contidas nestas colunas são de responsabilidade do autor, não representando a opinião do Desvendar.com. |
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