A festa do Divino Espírito Santo, "Terceira Pessoa da Santíssima Trindade e protetor da coroa Portuguesa", foi instituída no século XIV, pela Rainha Isabel. De Portugal, esta comemoração passou para as ilhas Atlânticas, e de lá para o Brasil-Colônia, permanecendo até os dias de hoje. No Brasil, o folclore europeu foi se modificando e se adaptando à realidade brasileira e às diferenças regionais.
É crença geral e expressão do sentimento inconsciente do povo simples que as pessoas componentes da Folia do Divino são portadoras de poderes, de certas virtudes, e que, por onde passam, levam a benção, afugentam doenças dos homens e dos animais, bem como as pragas das plantações. Um dos destaques dentro dessa tradição popular, é a Cavalhada, uma herança do “Ciclo de Carlos Magno”, que representa a luta entre mouros e cristãos. Relembra o ódio dos habitantes da Península Ibérica pelos dominadores árabes e a sua reconquista lenta mas gloriosa pelos portugueses e espanhóis.
Em Minas, a festa do Divino se caracteriza pelo Cortejo do Império e Coroação do Imperador e da Imperatriz do próximo ano. Durante o ano, à procura de oferendas, o Imperador envia “folias” para cantar junto às portas, conduzindo uma bandeira de cetim vermelho, tendo ao centro uma pombinha branca ou dourada, com resplendor ou orla de nuvens. Encerrados os festejos religiosos, os participantes se reúne ao redor de uma mesa farta, onde cantam e dançam ao som das violas.
Há muitas crenças em torno da bandeira do Divino: segundo o povo, ela traz alegria, paz e fartura por onde passa. É feita a cada ano pela família do Imperador e abre o cortejo do Divino.