No artesanato, a peça identifica a comunidade e possui características próprias da região cultural. A arte popular retrata a característica pessoal do artista. Ele é um autodidata, e os temas abordados normalmente possuem peculiaridades culturais da sua comunidade. Minas Gerais foi o Estado que melhor absorveu a cultura dos elementos colonizadores: português, africano, indígena, italiano, cigano, etc. O fortalecimento da vida urbana com a ocupação das cidades históricas mineiras, favoreceu o surgimento de muitos artistas. Nosso território ofereceu fatores que propiciaram o enriquecimento artesanal, abrindo um leque de alternativas, proporcionando o desenvolvimento de trabalhos primorosos que despertam a atenção de inúmeros compradores, difundindo a arte do fazer popular mineiro para além das Gerais, com reconhecimento e interesses até internacionais.
A tenacidade e a criatividade do povo mineiro dão a certeza de que em qualquer canto do Estado encontraremos pessoas fazendo artesanato. Às vezes, a atividade não desperta apoio suficiente para sair do núcleo comunitário, ou não consegue atingir quem possa divulgá-lo. Poucos são os municípios que promovem os artesãos locais organizando sistematicamente sua própria feira de artesanato. Na maioria das vezes, são promovidas feiras de âmbito regional ou exposições programadas no meio de outras festas ou atividades culturais.
Belo Horizonte é a síntese da atividade artesanal do Estado. Todo Domingo acontece a tão conhecida Feira de Artesanato (ou Feira Hippie), um dos principais itens do calendário turístico da Capital, atraindo turistas e compradores até do exterior, valorizando a arte popular. O Minascentro, principal espaço para negócios, mostras, eventos culturais e feiras, também, vem promovendo a divulgação do produto artesanal mineiro. São utilizados um grande número de materiais nessa arte. Os principais são: Argila. Tradição indígena e portuguesa. É a matéria-prima mais versátil do artesanato, e a mais trabalhada pelas populações rurais. Os artigos incluem desde o rudimentar adobe, passando por peças simples de barro moldado e queimado, até peças finamente acabadas ou com riqueza de detalhes. Destaques: Caraí, Itamarandiba, Itinga, Januária, Monte Sião. Couro. Matéria-prima amplamente utilizada por todo Estado, exceto na região da Mineração, devido à predominância da pecuária naqueles municípios. É utilizado tanto sob a forma de couro cru como sob a de couro tratado, em calçados e acessórios, peças de selaria, confecções, utensílios, adornos, revestimento e acabamento de móveis. Destaques: Araçuaí, Guaraciba, Jequitinhonha, Joaquim Felício, Passos, Rodeiro, Santo Antônio do Grama.
Tradição indígena, utilizada sobretudo na zona rural. As fibras vegetais são de algodão, bambu, capins, cipós, taboa, pita, sisal, vime, etc. As palhas mais utilizadas são as de bananeira, coqueiro, milho, casca e entrecasca maleáveis de certas árvores, como a embira. As duas matérias-primas são utilizadas entrelaçadas ou trançadas, na produção básica de peças utilitárias, por mãos habilidosas, cujo esmero lhes confere valor decorativo: cestarias, esteiras, gaiolas, redes e forros, ainda encontrados em variadas tramas no teto das casas. As palhas são também muito utilizadas na confecção de bonecas. Destaques: Abre-Campo, Belo Horizonte, Betim, Brasília de Minas, Campina Verde, Caraí, Chalé, Chapada do Norte, Claro dos Poções, Conceição do Pará, Divinésia, Faria Lemos, Guaraciaba, Lambari, Lamim, Lavras Novas, Nova Lima, Oliveira Fortes, Santa Juliana.
Nos trançados, os fios vegetais são uma herança dos colonizadores. As tapeçarias, rendas e bordados se desenvolveram a partir das tradições européias. A arte do tear manual se conserva em muitas localidades mineiras. Os fios utilizados são os naturais, provenientes de algodão, lã, juta, pita, crina e pêlos de animais: as regiões do São Francisco e do Nordeste Mineiro produzem fios, nos quais são utilizados vegetais típicos para tingi-los, e dos quais se confeccionam as mais expressivas peças rústicas e as rendas mais delicadas do território mineiro. O Sul do estado se especializou nas confecções manufaturadas com fios industrializados, produzindo peças de coloridos contrastantes. Hoje, algumas peças também empregam fios sintéticos. Destaques: Betim, Capelinha, Campo Florido, Cascalho Rico, Cipotânea, Coluna, Ibiá, Itabirito, Mariana, Nova Lima, Oliveira Fortes, Patos de Minas, Pedro Teixeira, Perdizes, Rio Acima, Rodeiro, São Gotardo, Teixeiras, Turmalinas, São Miguel do Anta e Senhora de Oliveira.
Herança indígena e africana que, por influência européia, absorveu técnicas que resultaram no seu enriquecimento. Os conhecimentos se irradiaram a partir das cidades históricas, atingindo todo território mineiro, e são transmitidos nas peças de imagens sacras, móveis, instrumentos musicais, objetos de decoração e lúdicos, até os mais simples utensílios domésticos e da lida diária, como o carro-de-bois. Destaques: Por toda a região da Mineração, Alfenas, Araçuaí, Araxá, Belo Horizonte, Brás Pires, Cascalho Rico, Ibertioga, Joaíma, Juiz de Fora, Lavras, Pirapora, Porto Firme, Rodeiro, Tapira.
Designação genérica para qualquer tipo de rocha, seu fragmento ou mesmo um único mineral sólido. É matéria-prima utilizada no fabrico de armas e utensílios, desde o período da pedra polida. A diversidade do subsolo mineiro favorece seu emprego pelos artesãos que lançam mão do tipo comum no local. É o caso dos objetos em pedra-sabão da Região da Mineração, dos calcários do São Francisco, e das gemas do nordeste mineiro. Destaques: Coronel Xavier Chaves, Congonhas, Engenheiro Caldas, Felixlândia, Governador Valadares, Itajubá, Itamarandiba, Luminárias, Mariana, Monte Sião, Montes Claros, Ouro Preto, Santa Bárbara do Tugúrio, Serro, Teófilo Otôni.
A descoberta das riquezas minerais e a urgente necessidade de explorá-las determinou a vocação da economia mineira. Transformados pela indústria, sua utilização é presença constante nas mãos criativas que empregam desde os metais nobres até as mais diversas ligas. Alguns artesãos criam seus trabalhos aproveitando sucatas industriais. A maioria dos metais aparece nos objetos de decoração, mesmo sendo bastante comum nos utilitários: jóias, pratarias, bijuterias, funilaria, e utensílios domésticos, em ouro, prata, cobre, alumínio, ferro, estanho, flandres, latão, etc. Destaques: Conceição das Alagoas, Joaquim Felício, Mariana, Ouro Preto, Sabará, São João Del-Rei, Tiradentes, Turmalina, Viçosa.
O artista popular mineiro tem ao seu dispor uma enorme variedade de materiais. Além dos já mencionados, a atividade se utiliza de flores, sementes, frutas, cabaças, grãos, os quais são empregados na confecção de arranjos; massas como as de farinha, papel, parafina, gesso, sabão, em modelagens; penas, ossos, chifres em adornos; o papel, em dobraduras, e o reciclado em cartões, modelagens, bonecas; o grafite, as tintas e pigmentos naturais, vidro, espelho, acrílico e outras resinas, espuma, plástico e tudo que a criatividade do artista popular permitir transformar em objeto útil ou de decoração.