Causo do Pajé
Corre a lenda que nas longínquas entranhas das serras mineiras existiam várias tribos. Dentre essas tribos havia uma que se destacava por sua valentia em defesa de suas terras. Por ali passavam viajantes e tropeiros levando em seus embornais alimentos, gado, boas-novas e muitos amores.
Onde habitava aquela valente tribo, existiam belos rios, matas virgens e lindas cachoeiras. Por lá vivia um pajé, líder sábio que possuía um cajado majestoso, segundo a tribo, detentor de poderes mágicos.
Todas as vezes que ocorria uma tragédia na aldeia, com as pessoas, ou com os bichos, o pajé tomava do cajado majestoso, reunia sua gente, batia com o cajado três vezes no chão e contava histórias que seus avós lhe contavam, cantava cantigas, falava poesia e tudo tomava o rumo da tranquilidade.
Mas um dia, uns homens barbudos e armados de arma de fogo invadiram a tribo e seqüestraram o pajé e seu cajado majestoso. Abateu-se uma grande tristeza sobre aquela tribo. Toda aquela gente então cantou em preces para seus deuses pedindo a volta do grande pajé.
Acontece que o pajé misteriosamente fugiu das mãos de seus algozes. Retornou à sua tribo, reaparecendo com seu cajado majestoso. Coincidentemente fez-se um tempo de paz com o retorno do pajé.
Conta a lenda então, que a partir daquele acontecido, quando sua aldeia estiver vivendo um tempo de dificuldades, é só bater o cajado no chão e reunir toda gente em volta da fogueira, contar antigas histórias, cantar e falar poesias, que tudo mudará para melhor dali para frente. Conta a lenda ainda que dentro do cajado se ouvirá, sorridente, o espírito do velho pajé.
Texto de Ricardo Evangelista e Sueli Silva (Adaptado a partir de causo narrado por SEU JUCA, "o Manuelzão negro" de Arcos (MG)).
O CAUSO DO PAJÉ está presente no CD "POETAS QUAE SERA TAMEN, de Ricardo e Sueli.
Conheça o trabalho de Ricardo e Sueli acessando www.sarautropeiro.com