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BLUES DO VIAJANTE



MACACOS: CADÊ A CACHOEIRA?

Por Marcos Tiahua

SÃO SEBASTIÃO DAS ÁGUAS CLARAS

"Grande queda" - Cachoeira de Macacos

Fazer turismo em Minas é uma aventura muito prazerosa. Aqui há muitas opções. A infinidade de atrativos de diferentes que podemos explorar em nossas cidades, encantam os olhos de qualquer turista. Esteja ele procurando por nossa riqueza histórica ou por nossas maravilhas naturais. Particularmente no que diz respeito a nossa mãe natureza, sempre fui fascinado pelas cachoeiras da Serra do Cipó, mas há muito ouvia falar sobre um outro lugar. Eis então que decidi reunir os amigos e conhecer a tão famosa cachoeira de Macacos, no município de São Sebastião de Águas Claras. Acredito que quem mora na capital mineira como eu, com certeza já conhece ou já ouviu falar desse lugar. Um dos seus atrativos é o Bar do Marcinho, já tradicional na região.

Já na cidade, mais especificamente no sítio do Bento, um amigo de nossa turma, preparamos o almoço e em seguida sairam todos para a tal cachoeira, menos eu que por azar do destino havia sido incubido de lavar as panelas. Que sorte! Sem problema! Combinei com todos então que após terminar o trabalho encontraria com eles. E assim foi... Após andar um pouco na estrada, encontrei o Bruno (filho do Bento) à cavalo que me disse direito onde era a trilha. Continuei seguindo e cheguei a uma quedinha d'água minúscula e logo não acreditei que pudesse ser aquilo ali a famosa cachoeira.

Pé na estrada

Assim continuei seguindo pelo rio e nada de aparecer nem os meus amigos, nem a esperada cachoeira. Comecei a me preocupar. O tempo de caminhada sobre o rio ia aumentando e eu não sabia mais o que seria melhor: continuar seguindo ou retornar. Decidi prosseguir...

Para aliviar a tensão decidi cantar alto, caminhando no rio, sobre aquela água barrenta, ninguém além da natureza podia me ouvir. Onde estão os meus amigos? E não eram poucos havia mais ou menos umas vinte pessoas em nossa turma. E a cachoeira? Gente, cadê a cachoeira? A indignação me consumia.

Uma luz depois da brecha

Eis que após mais um longo período na jornada no rio, ouço alguns sons, fluidos: eram vozes. Estava chegando novamente em civilização. Havia uma brechinha na mata. Corri logo em direção a ela, na lateral direita do rio e me adentrei no que mais me parecia um clube de lazer. Naquele momento sorria até não poder mais. Consultei as horas com um transeunte e me dei conta que continuava perdido, desta vez por causa do tempo. Eu precisava pegar o último ônibus que partia do município naquele dia. Ele saia por volta das 17hs e já era quase isso. Pedi informações e descobri que para chegar a casa do Bento bastava seguir a estrada que estava logo a minha frente. Ufa, que alívio!

Morria de sede, de fome e nem se quer estava com minha carteira, afinal, trajava bermuda e camiseta e pretendia entrar na água. Percebi a presença de alguns trilheiros e decidi pedir carona. Carona? He, he! É, nenhum deles pretendia pegar a estrada naquele momento. Novamente, que sorte!

Cabe mais um aí?

Na estrada, que obviamente era de terra, eu caminhava com o polegar para cima pedindo carona sempre que passava um carro. Alguns plays passavam a mil por hora, outros, irônicos, cumprimentavam amigavelmente com a frase "Ô a pé!" e deixavam um rastro de poeira me indicando o caminho. Mas não é que Deus é brasileiro e meu polegar direito, um intrumento sagrado? Surge naquela trilha de terra vermelha uma boa alma, em uma pampa e me conduz até o meu destino final o sítio do Bento.

No local somente o próprio Bento me aguardava roendo já as unhas do pé, aflito e pensando ter acontecido o pior, mas enfim eu estava a salvo. Isso era o mais importante. Corremos juntos agora até o terminal de ônibus onde a galera também estava ansiosa almejando notícias minhas. Chegamos lá e cima da hora e consegui pegar o ônibus. Diante da turma somente um sentimento me consumia: o orgulho de ser herói. Herói de mim mesmo. Mas ainda fiquei incucado com uma coisa nessa história. Algo que não consegui descobrir: Cadê a cachoeira? De Macacos não guardo máguas, retornei lá depois em outras ocasiões, mas dessa vez já fui preparado.

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