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BLUES DO VIAJANTE



FÉRIAS NA FACULDADE. E MELHOR AINDA, FORA DA ALTA TEMPORADA!

Por Parlos Ranna

ILHA GRANDE

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Férias na faculdade. E melhor ainda, fora da alta temporada!

Partimos de BH eu, Carlos, que vocês já conhecem de outros Blues do Viajante, e meu querido camarada Geléia. Nosso destino era nada mais nada menos do que a linda e maravilhosa Ilha Grande, no Estado do Rio. Preparamos nossas mochilas com todo cuidado e esmero possível, pois tínhamos uma meta audaciosa; andar 80 Km em dez dias no terreno acidentado da ilha, fazendo desta forma boa parte do litoral voltado para o oceano, e mais uma considerável parte do litoral virado para o continente.

Para começar pegamos um ônibus para Angra dos Reis. Nosso ônibus chegaria na cidade de Angra aproximadamente às 6h30 da manhã, e para deixar tudo mais gostoso, foi assim que encontramos nosso primeiro obstáculo a ser superado: A barca de Angra para a Ilha só saía às 15hs. Isso significava que perderíamos o dia inteiro na cidade, quando planejávamos chegar cedo em Ilha Grande e já sair caminhando. A solução era se mandar de Angra para Mangaratiba, de onde sairia uma outra barca, esta, às 8hs da matina. Tínhamos portanto pouquíssimo tempo para chegar lá, e o ônibus não ia direto. Tivemos que parar em outra cidadezinha e de lá pegar um terceiro ônibus para Mangaratiba. Fomos uns dos últimos a comprar as passagens e entramos correndo na barca para não perder a viagem.

Graças a Deus tudo corria bem, como planejado. Íamos sorridentes olhando o continente se afastar, já pensando nos dias maravilhosos que teríamos pela frente. Ao chegar na Ilha porém, me ocorreu algo que me deixou muito assustado e injuriado. Em minha opinião pessoal o ocorrido foi uma afronta aos meus direitos pessoais, e uma total falta de respeito ao turista que chega na Ilha. Me explico no próximo parágrafo, e peço total atenção a ele, pois esta dica pode salvar as férias de muita gente!

Quando a barca aporta na Ilha e os passageiros descem, somos recepcionados por um bando de moradores, turistas e policiais à paisana. Os caras não perdem tempo, e ao ver um cabeludo como eu, pedem-nos para acompanhar-lhes à delegacia. No caminho começam um papo intimidador, do tipo:

- Ô malandro, o negó é o seguin, tamu procurandu por tóxicus. Tú tem aí contigu? - Tenhu não sinhô. - Ó! Nóis vai procurar! Se tivé é milhó falá agora! Se a gente achar tú tá ferrado mermão! Sem medo nenhum retuquei: - Tenho nada não cara! Tô te falando, só vim passar uns dias aqui, fazer um ecoturismo, um trekking. - Intão nóix vão vê!

Daí então, fui levado para um quartinho sinistro, e começaram a revistar meus bolsos, não acharam nada. me mandaram abrir a mochila e tirar tudo que eu tinha dentro. Ao que eu disse:

- Pôxa, minha mala está preparada para dez dias de caminhada! Os pesos estão divididos cuidadosamente, as roupas estão dentro de sacos plástico, vai dar um trabalho tremendo, gente. - Tem probrema não! Tira tudo daí!

Revista minuciosa

Vocês não acreditam que busca minuciosa! Dificilmente alguém sair de lá sem ser incriminado caso esteja carregado. Tiraram tudo de dentro da minha mochila, abriram todos os sacos plásticos, olharam os bolsos de todas as roupas, procuraram por espaços entre as alças da mochila, e eu lá tranquilo da vida, rindo pra eles. Quanto mais eu sorria e puxava conversa sobre a ilha, mais eles procuravam! Até que desistiram. Perguntaram como é possível um cara com cara de malandro como eu não ter nada. Um deles, o que me escolheu na saída da barca quis recomeçar a busca. Sorte que o mais velho lá se mostrou um pouquinho, mas pouquinho mesmo, mais sensato e me liberou para que eu arrumasse a mala e saísse de lá. Arrumei rapidinho e saí vazado, torcendo para nunca mais ver aqueles manés. Foi ainda um trabalho extra achar meu amigo, que acabou escolhendo um camping qualquer e saiu à minha busca. Mas depois de encontrado, susto superado. AGORA COMEÇAM AS FÉRIAS!




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