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BLUES DO VIAJANTE



COMO TRABALHEI

por Tiago Felicori

TIRADENTES

Visitar uma cidade histórica é sempre muito bom, mas visita-la com os olhos de um turismólogo é um tanto quanto peculiar. Mas volto a essa questão mais tarde, vamos à viagem que é o que interessa. O destino em questão era Tiradentes, mas o trajeto não foi fácil, pois chovia muito e tínhamos um trecho de estrada de terra pela frente.

A nossa pousada ficava no Largo das Forcas, na praça central da cidade. Esta praça tinha ruas estreitas, muitas árvores e era cercada por lanchonetes, bares, restaurantes e uma igreja reduzida e muito velha. Essa igreja (ou capela) por sinal era o meu primeiro ponto de parada. Muito pobre, o nome faz jus ao que se vê, bom Jesus da Pobreza. Andei mais um pouco, atravessei a ponte de pedra e fui em direção a mais duas igrejas, a das Mercês, simples mas muito bonita e a de São Francisco de Paula, bem simples mas com uma vista maravilhosa da cidade.

Passando pela rodoviária e por alguns becos com casas velhas mas nada agradáveis cheguei a rua Direita, a mais movimentada da cidade. Nessa rua além de lojas e restaurantes há a antiga cadeia e atual museu com poucas obras mas tem-se a oportunidade de descer ao porão onde ficavam os presos. Também nessa rua tem a igreja de Nossa Senhora do Rosário, mas infelizmente estava fechada.

Subindo uma ladeira no meio da rua Direita chega-se a rua Padre Toledo onde além do museu de mesmo nome, imperdível, há também a casa de cultura com várias fotos antigas da cidade. No fim desta rua o que eu mais esperava ver ia despontando aos poucos à medida que eu andava: a Matriz de Santo Antônio.

Do lado de fora da Matriz fica o relógio de Sol conservado há dois séculos. A fachada da Igreja também é muito bonita e está muito bem conservada. Mas é do lado de dentro que o queixo cai de verdade. Quilos e quilos de ouro cobrem cada canto da Igreja que tem muitas imagens e um órgão muito bonito. Um bom lugar para almoço é o Ora-pro-nóbis no largo do chafariz, com um atendimento um pouco lento mas com excelente comida. A noite os bares ficam cheios mas uma boa opção é ir até São João Del rey.

Só uma coisa me desagradou nesta viagem. A visão de turismólogo. Não que seja ruim mas às vezes atrapalha a viagem. A ponte, por exemplo, está muito suja e as placas de informações estas lá mas são poucas. A Matriz tem a proibição de não tirar fotos lá dentro, fiquei desapontado com isto mas se é para preservar é válido. Peguei a estrada para Belo Horizonte já pensando em ver minha namorada. Estava morrendo de saudades dela.

Nosso viajante:

Nome: Tiago Felicori Cidade: Belo Horizonte-MG

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