Expedição ao Pico Catas Altas por Carlos Ranna Lá estava eu, deitado no chão da rodoviária de BH, passando muito mal do estômago. Do meu lado, quatro mochilas enormes e três doidões prontos para encarar um desafio maravilhoso: sair de Catas Altas em direção ao Santuário do Caraça, passando pelos Picos Catas Altas, do Sol e Canjerana. Como ao fim da viagem todos da equipe já tinham seus respectivos apelidos, vou nos apresentar usando-os.
Éramos quatro, portanto: Magneto, o Azedo, um dos filósofos mais engraçados que se pode encontrar por aí, grande ciclista e para azar dos outros um tremendo peidorreiro. Marcos Cristo, o Pedreiro Florestal, ainda não se ouviu falar em toda a história da humanidade de um engenheiro florestal mais zen do que este. Manipula o GPS como poucos e foi capaz de nos guiar por uma trilha invisível até o Pico do Sol. Teras Man, o Hippie, bacharel de turismo, Desvendador por escolha profissional, amante da arte da fotografia, da natureza e das mulheres. Carlos, o pirata do joelho de pau (eu), Roqueiro desvendador por profissão, e que apesar de adorar Trekking e montanhismo passou nesta viagem o dia mais sofrido de sua divertida vida.
Comecemos portanto essa viagem! Chegamos em Santa Bárbara, depois de algumas horas vomitando pela janela do ônibus. Era dia de torneio leiteiro na cidade, sexta feira. Não poderíamos aproveitar a festa pois ainda tínhamos que seguir para Catas Altas, de onde partiríamos no dia seguinte antes do galo cantar, pois queríamos estar o mais longe possível de Santa Bárbara no sábado à noite, dia do show do KLB. Após uma noite de sono ao lado da belíssima Igreja de Santa Quitéria, partimos para a travessia! Para quem ainda não sabe o que tínhamos pela frente, vou explicar: No primeiro dia a meta era subir o Pico Catas Altas, que tem 1.700 m de altura. Quase nada, é verdade... No segundo dia, subiríamos o Pico do Sol. 2.080 m de altura e o ponto mais alto em um raio de 300 Km (é mole? Hehe...) e por último viria o Canjerana, que tem em torno de 1.700 m também.
Visual belíssimo, Marcos Cristo ia nos explicando tudo sobre a vegetação local e suas variações de acordo com a altitude. Como pode ver, ecoturismo pode (e deve) ser uma atividade bastante pedagógica. Magneto o azedo deixava para trás um rastro assassino de seu mortal gás, e assim íamos, subindo e fotografando.Com um parágrafo deste tamanho sobre a subida fica difícil saber como ela é dura.
A "escalaminhada" é bastante cansativa, a trilha não é muito clara, em alguns momentos não existem cursos de água, e por um bom tempo não se consegue enxergar a ponta do pico, seu objetivo final.
Como nós não somos frescos fomos subindo e subindo. Já bem lá no alto, quase chegando avistamos o antigo Quilombo. É muito legal chegar nas ruínas de um local histórico de tão difícil acesso. Não tem fazendeiro dono de terra macho o bastante para tirar um escravo daqui, pois trazer uma tropa aqui pra cima, e sair na porrada com os capoeiras neste terreno não é mole não!