Turismo Cultural, Turismo Histórico (Cidade Histórica), Turismo Ecológico, Ecoturismo, Turismo Religioso, Turismo Gastronômico, Turismo de Negócios
Sede do maior conjunto homogêneo da arquitetura barroca mundial, Ouro Preto, em seus enormes casarões reserva histórias da inconfidência mineira e de grande parte do período colonial brasileiro. Em 1980, Ouro Preto recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, conferido pela Unesco e recentemente através do projeto Monumenta BID tenta manter essa condição, restaurando os monumentos históricos. Quem passeia pelo centro histórico de Ouro Preto percebe logo que as vielas sobre as ladeiras estreitas deixam bem claro que o trânsito é de mão única. O acesso ao interior das igrejas deixa de fora as câmeras fotográficas e filmadoras e que não faltam são roteiros para serem desvendados.
Atualmente, a cidade se apóia em grandes eventos artísticos e culturais, sendo um dos principais pontos de concentração do Estado. Sobre as ladeiras em paralelepípedo sobem e descem uma multidão de animados foliões, pois o carnaval de Ouro Preto é um dos mais animados e quentes do estado de Minas Gerais e do país. Parte da fama de Ouro Preto é também atribuída às diversas repúblicas de estudantes presentes no município. Durante o Festival de Inverno e a Festa do 12, o difícil é conseguir uma vaga para curtir os eventos nessas colônias. A solução mais recomendável, talvez, é escolher uma boa pousada. Com tantas riquezas que engrandecem o patrimônio de Ouro Preto, é impossível não ressaltar a importância de seus artistas nativos e daqueles que por ali deixaram as suas marcas, como o mestre Aleijadinho. A cidade atrai anualmente milhares de turistas, brasileiros e estrangeiros, desejosos de visitar a cidade barroca que foi palco de movimentos revolucionários, intelectuais, religiosos e artísticos no século XVIII. Algumas alternativas de roteiros levam a explorar o ecoturismo, principalmente nos distritos de Lavras Novas e Santo Antônio do Leite ou então percorrer a estrada real que por ali está de passagem.
A referência para os bandeirantes paulistas, que em 1698, partiam em busca do ouro era a montanha pontuda, onde hoje é o pico do Itacolomi. Poucos anos antes um mulato que provavelmente pertencia a bandeira de Duarte Lopes encontrou pedras negras no rio Tripuí. Tal amostra chegou as mãos do governador na cidade do Rio de Janeiro, que após uma avaliação descobriu que se tratava de ouro puro, encoberto por uma camada fina de óxido de ferro. Essa cobertura de cor escura deu o nome a Ouro Preto. A partir de então foi se formando o arraial e com o passar do tempo foi atraindo exploradores de diversas partes do país em busca do eldorado. Em menos de trinta anos o arraial se transformou no maior aglomerado da América Latina.
Conflitos, como a sedição de Vila Rica, em retaliação a cobrança do quinto e que culminou com o esquartejamento do líder do movimento Felipe dos Santos, ou mesmo o da Guerra dos Emboabas, foram marcando a história da cidade, simbolizando a ganância dos homens e dando nome a alguns lugares, como o Morro da Queimada, um dos locais incendiados. Com a garantia da autonomia da capitania das Minas Gerais, em 1720, Vila Rica se tornou a capital do Estado. Mas alguns sinais da escassez do ouro foram aparecendo. A coroa respondeu aumentando tributos e a fiscalização impulsionando, com isso, movimentos de independência do Estado e da colônia.
A principal revolta não chegou a eclodir, pois foi descoberta e delatada por um dos inconfidentes traidores. Todos os conspiradores foram presos e julgados. Tiradentes teve a pena máxima e foi enforcado, já os demais foram extraditados para colônias portuguesas na África. Outro inconfidente Cláudio Manoel da Costa suicidou-se na cadeia. O movimento ficou conhecido como Inconfidência Mineira. A decadência do ouro e a política imperialista não refletiam o movimento social e cultural existente em Vila Rica. A cidade era opulenta e seu requinte estava intimamente ligado com a religião, a ostentação e a intelectualidade.
Patrimômio
A antiga Ouro Preto reunia uma população não só de mineradores, mas de comerciantes, artesãos, artistas, intelectuais, funcionários públicos e vários outros, o que conferiu um aspecto mais urbano em relação ao agrário que predominava no resto do Brasil. As irmandades religiosas e organizações leigas representavam as mais diversas segmentações sociais: ricos, pobres, negros, pardos, cada qual disputando entre si e dispostos a construírem os mais belos templos em demonstração de suas influências. Em meio a Igrejas, pontes, palácios, casarios e chafarizes, o movimento artístico e intelectual encontrou terreno fértil para florescer.
Surgiam gênios, mestres, artistas, atores, pintores e algumas figuras celebres como, como Aleijadinho, Athaíde e Luiz Antonio Gonzaga, cujas obras a cada dia que passa crescem em admiração e prestígio. A decadência das minas em Ouro Preto provocou as discussões que originariam a transferência da capital para outra cidade. A mais defendida era São João Del Rei. Embora tivesse também o apoio dos inconfidentes, a nova capital seria construída no Arraial de Curral Del Rei, hoje Belo Horizonte. Em 1933, Ouro Preto recebeu o título de Monumento Nacional. Cinco anos depois, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Natural (Iphan) tombou a cidade. Na década de 80, a Unesco conferiu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.