As seis capelas dos Passos da Paixão estão situadas abaixo do Santuário do Bom Jesus do Matosinhos. Trata-se de um belíssimo trabalho que representa as cenas do calvário de Jesus Cristo e os seus profetas. Assim, Aleijadinho representou as estações da Via Sacra: a Santa Ceia, o Horto das Oliveiras, a Prisão de Cristo, a Flagelação e Coroação de Espinhos, a Subida ao Calvário e a Crucificação.
O mestre Aleijadinho, ao contrário do que pode parecer, iniciou os seus trabalhos em Congonhas pelos passos da paixão, localizados na subida para a Basílica, e não pelos profetas em pedra-sabão. A partir de 1796, Aleijadinho e seu atelier esculpiu 66 imagens de madeira, durante um período de três anos e cinco meses, contando ainda com o apoio dos pintores Francisco Xavier Carneiro e Manoel da Costa Athaíde. A policromia das imagens dos passos foram iniciadas em 1808, sendo que a pintura apenas se iniciava após a conclusão das obras nas respectivas capelas. Algumas das capelas tiveram suas obras paralisadas por quase 50 anos, o que pode ser visível pela qualidade da obra, um pouco inferior a dos artistas Francisco Xavier Carneiro e Athaíde. Foram então reiniciadas em 1864 e concluídas em 1875.
A capela do Passo da Ceia, localizada na parte inferior da rampa, é a mais antiga e de melhor acabamento em comparação às demais capelas do Passo. Foi a única construída durante a estada de Aleijadinho em Congonhas, sendo bastante provável que a obra da Capela tenha recebido orientações do mesmo. Nela, está representada a Santa Ceia.
As imagens simbolizam o momento exato em que Jesus Cristo profere as seguintes palavras: “Em verdade eu vos digo, um de vós me há de entregar”. As expressões dos apóstolos de puro sobressalto e espanto em reação à declaração exprimem a alma barroca dotada de uma dramaticidade teatral.
Os artefatos foram produzidos em tamanhos muito próximos ao natural, utilizando-se de um único bloco para constituição dos mesmos. Uma curiosidade referente ao tom empregado às vestimentas é a predominância de tons pasteis utilizados nos personagens sagrados. Os tons mais fortes foram manuseados nas imagens que representam os malfeitores e algozes de Jesus. A construção da Capela abrangeu os anos de 1799 a 1808.
Situado na esquerda da rampa, não muito distante do Passo da Ceia está o Passo da Capela do Horto. Trata-se de uma capela nitidamente menor em relação à Capela do Passo da Ceia e nela está representado o marco inicial da Paixão de Cristo, ou seja, a agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras. A construção desta capela durou cinco anos, de 1813 a 1818. A representação conta com um Anjo que possui em sua mão direita um cálice e na esquerda uma Cruz (retirada em 1957 por segurança). Em um plano inferior estão os apóstolos adormecidos, São João, São Tiago e São Pedro.
No plano intermediário está a imagem de Cristo, ajoelhado e de braços abertos exprimindo em sua face sua rogativa.
A imagem capta o momento exato em que Cristo orando pede: “ Pai, se for de Teu agrado, afasta de mim este cálice”. O tom teatral e barroco desta cena estão expressos até mesmo nos pequenos detalhes como é possível observar na gota de sangue que escorre da face de Jesus , exclusivo da pintura realizado por Athaíde.
A Capela do Passo da Prisão está situada do lado direito da Capela do Passo da Ceia. O edifício apresenta características bastante similares ao da Capela do Passo do Horto em termos arquitetônicos. Nesta Capela estão representas imagens de grande dramaticidade.
A representação conta com oito personagens, cada qual exprimindo em suas feições forte emoções captando o seguinte desenrolar de ações: São Pedro em uma reação irreflexiva decepa a orelha de um soldado de nome Malco que tentava capturar Cristo.
Calmamente com a orelha nas mãos, Jesus caminha em direção à vítima e realiza o milagre de Malco. Ao fundo observa-se Judas que ostenta uma expressão de estupefato. Nesta cena é possível observar o jogo de cores utilizado por Manoel da Costa Athayde, onde as imagens de Cristo, Judas e São Pedro recebem cores pasteis e os soldados que atentam contra Jesus recebem uma coloração mais forte com tons avermelhados ao alaranjado.
O projeto inicial para abrigar os Passos previa a construção de sete capelas ao invés das seis existentes, isto fez com que a Capela da Flagelação e Coroação dos Espinhos abrigasse dois passos, tumultuando a vista do espectador, uma vez que se desenrolam em um pequeno ambiente as duas cenas.
A decisão de optar por seis capelas ao invés de sete, como é dito por alguns, partiu do próprio Aleijadinho devido a uma superstição em relação ao número sete. O Cristo que compõe a cena da flagelação apresenta-se de pé com as mãos amarradas por uma corda e demonstra em sua face uma expressão de fatuidade e altivez à consternação da Flagelação.
Açoitam o Cristo dois soldados, possivelmente utilizavam-se de um chicote ou arma parecida, mas o mesmo já não se encontra no local, desaparecido há muito tempo. O grupo que compõe a cena da Coroação de Espinhos abrange oito personagens. O Cristo apresenta-se sentado sob pedras e em sua cabeça está a coroa de espinhos. À sua frente, de joelhos, está um soldado que lhe confere uma cana verde, a guia de cetro, enquanto à esquerda um outro soldado segura a inscrição INRI. Em ambas as cenas são somente atribuídas a Aleijadinho as imagens do Cristo e um soldado. O restante é de provável autoria de seus ajudantes. Também em ambas as cenas a pintura das imagens não é atribuída a Athayde devido à discrepância de estilos.
O penúltimo passo da seqüência teve sua construção entre os anos de 1867 a 1875. Para representar o Caminho de Cristo ao Calvário, Aleijadinho utiliza a passagem do Encontro com as Filhas de Jerusalém. Originalmente a cena contava com nove imagens, no entanto, encontram-se dois casos de transferência de imagens advindas de outros locais, sendo a primeira a de um menino com um cravo na mão transferido na restauração de 1957 da capela da crucificação e uma das figuras de soldado, somando assim onze imagens. Nesta cena são atribuídas ao Mestre Aleijadinho apenas a imagem de Jesus e a mulher que lhe enxuga as lágrimas. Igualmente ao quinto Passo as pinturas não são atribuídas a Athayde, não tendo sido, no entanto realizadas pelos mesmos artistas do anterior.
A capela do Passo da Crucificação abriga em seu interior onze imagens compostas de três diferentes ações que não ilustram-se subordinadas a um único desenrolar de ações. O arranjo divide-se em três zonas distintas. Na parte central localiza-se a figura de Jesus Cristo sendo pregado na cruz por dois soldados observado por Madalena suplicante.
À esquerda da representação dois soldados tiram a sorte para decidir quem levará as vestimentas de Cristo, passagem esta relatada na Bíblia nos textos de São João. Ao lado direito da composição central encontram-se os dois ladrões condenados que esperam de mãos atadas a crucificação.
:: Serviço
Localização: Praça da Basílica
Horário de funcionamento: Terça-feira a domingo, das 7h às 18h